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App de paranaense que aproxima crianças de famílias passa a integrar Sistema Nacional de Adoção; veja funcionamento


Aplicativo idealizado por paranaense vai integrar Sistema Nacional de Adoção

O aplicativo A.dot, criado para aproximar crianças e adolescentes de famílias adotivas, passa a integrar, a partir desta segunda-feira (25), o Sistema Nacional de Adoção (SNA) após ajudar em mais de 200 adoções. A ferramenta foi idealizada pela jornalista paranaense Adriana Milczevsky e desenvolvida em parceria com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

De maneira segura e restrita, o A.dot disponibiliza informações sobre saúde, desenvolvimento e histórico de cada criança e adolescente, além de vídeos personalizados, permitindo que os pretendentes criem conexão emocional antes de uma aproximação formal. A plataforma foi pensada para aumentar as chances de adoção de perfis menos procurados, como adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou necessidades médicas específicas.

A incorporação do aplicativo pelo SNA, sob responsabilidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), não altera em nada o processo de adoção no país — e só terão acesso ao aplicativo aqueles que já estão cadastrados no sistema. Entenda como funciona abaixo.

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Entre as histórias transformadas pelo aplicativo está a dos irmãos gêmeos Marcos Augusto e Maria Vitória Sertório Gatti. Os dois passaram 11 anos em uma instituição de acolhimento no Paraná e, aos 17 anos, gravaram um vídeo falando sobre o sonho de ter uma família.

"Muitos casais só querem adotar crianças pequenas, bebês. Como a gente já era adolescente, a gente não se via mais nesse meio. A gente só falou que queria ter uma família pra gente ser, ter um lugar de acolhimento, se sentir amado", disse Maria Vitória.

Os gêmeos Marcos Augusto e Maria Vitória Sertório Gatti

Reprodução/RPC

O conteúdo publicado no A.dot emocionou Sueli Sertório e Rafael Gatti, moradores de Bandeirantes, no Norte Pioneiro, que decidiram aumentar a família adotando os irmãos. Atualmente, o casal tem sete filhos.

"Ela toda extrovertida, ele mais sério, mas o jeito como eles tinham a conexão deles atraiu bastante [...] A gente até decorou as falas de tanto a gente assistir o vídeo. Somos uma família feliz, uma família unida, com muito amor", disse o casal.

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Mais de 200 adoções

Aplicativo A.dot

Reprodução

Desde 2018, a ferramenta ajudou a realizar 216 adoções, sendo 135 de adolescentes com mais de 13 anos. Adriana explica que a proposta do aplicativo é mudar a lógica tradicional da adoção. Antes de passar a integrar o Sistema Nacional de Adoção, o app estava sendo usado em outros 12 estados.

“Era muito o foco do pai escolhendo o futuro do filho. E o A.dot vem para virar essa lente da sociedade e dizer: ‘Não, o importante é o filho’. É o filho que passa a dizer nos seus vídeos quais são os seus sonhos, como espera que seja uma família ideal para ele. E quando ele começa a dizer isso, as famílias começam a encontrar eles”, afirmou.

O desembargador Sérgio Kreuz, que também idealizou o app, explica que, muitas vezes, o perfil da criança ou adolescente não corresponde, em um primeiro momento, ao que os pretendentes imaginam buscar na adoção, mas com o conteúdo do aplicativo, pode acontecer uma identificação.

"Eles vendo imagens, fotos, vídeos dessas crianças e adolescentes, pode acontecer ali uma conexão como aconteceu inúmeras vezes", relata.

Desembargador Sérgio Kreuz e Adriana Milczevsky, idealizadores do A.dot

Reprodução/RPC

Segundo o juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Hugo Zaher, atualmente cerca de 1,8 mil crianças e adolescentes aguardam adoção.

"A incorporação do A.dot ao SNA representa um avanço estratégico na Política Judiciária de Convivência Familiar e Comunitária. A expectativa é ampliar significativamente a visibilidade de crianças e adolescentes com perfis historicamente menos procurados", disse.

Aplicativo não é 'para curiosos'

Para ter acesso ao aplicativo e, consequentemente, aos vídeos das crianças e adolescentes, é preciso estar cadastrado no Sistema Nacional de Adoção. Sérgio Kreuz afirma que o processo inclui cadastro, avaliação e preparação dos pretendentes.

“O aplicativo não foi feito para curiosos. Foi feito para pessoas que já estão habilitadas no Sistema Nacional de Adoção. A pessoa que quer adotar vai na sua comarca, leva documentos, faz uma inscrição, passa por avaliação e por uma preparação”, explicou.

Segundo Kreuz, uma das preocupações do aplicativo é garantir a segurança das crianças e evitar exposição indevida.

“O aplicativo foi feito para preservar a imagem e a identidade das crianças, mas ao mesmo tempo não deixá-las na invisibilidade”, afirmou.

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